A crônica nossa de cada dia tecida com fatos pitorescos ou sentimentais da surpreendente e inexplicável vida.
sala VIP
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Caserna verde: sonho e decepções - V
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Tristeza
segunda-feira, 21 de março de 2011
vida de professor
sábado, 5 de março de 2011
Caserna verde: sonho e decepções - IV
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
vida de professor
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
A poetisa multifaces

do meu quarto agressivo
(motel de terceira classe),
despertando o meu instinto
animalesco e afável.
Amarrotamo-nos.
Lambuzamo-nos. Não assumo.
Depois, visto a poesia
(completamente saciada)
com uma gramática
bem curtinha... curtinha
(mostrando o fundo do verbo
e as frases roliças)
e ponho-a no olho da rua.
FELIZ ANIVERSÁRIO, POETISA
domingo, 30 de janeiro de 2011
Parabéns, Márcio Jr

Amarelo: riqueza natural
Rio Parnaíba, segundo em extensão do Nordeste
Ocaso no Caís do Porto às margens do Parnaíba
Lugar, cara, de muita animação
Birita, mulheres bonitas
E muita azaração.
Teatro Maria Bonita
Cidade Cenográfica
A segunda a céu aberto do Nordeste
Cidede CenográficaMuitos atores famosos participam do espetáculo



LITORAL


Pedra do Sol
Atalaia
Praia do Coqueiro
Único delta em mar aberto do mundoPARQUE NACIONAL SERRA DA CAPIVARA em São Raimundo Nonato (530 km da capital)

Sítios arqueológicos
Clima semi-árido
Caatinga

Vestígios do homem mais antigo das américas.
Pois é, Márcio, aqui você ver um Patrimônio Cultural da Humanidade (UNESCO - 1991).

Chama-se das confsões em função de mudar de configuração de acordo com a iluminação solar.Maior parque da região Nordeste. Aqui, Márcio, veremos:
Ecossistema de caatinga
litogravura nas paredes
Clima tropical
Fauna em extinção: jacutinga, veado-campeiro, tatu-canastra, tamanduá-bandeira, guariba, onça, etc.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Caserna verde: sonho e decepções - III

No dia do resultado, o meu nome desfilava na lista dos selecionados. A semana de apresentação no quartel já estava peremptoriamente marcada, mas não disseram o que se deveria levar.
Cheguei em Picos, mas não fui para o quartel: fiquei na casa de um colega que já tinha servido, mas estava tentando engajar-se definitivamente. Na noite picoense perigosa, escalonamos bares, boates e afins. Na madrugada etílica, num beco asqueroso e na penumbra, entramos num bordelzinho sem classificação. Desses em que a recepcionista é a morte. Morte que, discretamente, já lhe presenteia com uma vela acesa. A tríade da confusão estava presente: cerveja, mulher e música. No plural, é claro. Depois de um tempo, a música de Roberto Müller, Luz Negra, tocava pela quinta vez. Lembro-me, ainda, da letra: “Eu não te conheci/ Na luz negra/ Eu não te conheci/ estavas diferente/ No meio dessa gente/ confesso que foi surpresa pra mim (...). Meu colega irritou-se. Uma “prima”, apontando para uma mesa, onde um solitário moço de chapéu quebrado bebia, disse:
- Aquele homem comprou trinta fichas para ouvir só esta música.
Meu colega já estava bêbado e disse que se não mudassem a música quebraria aquela merda toda. Foi um corre-corre danado. A agenciadora das garotas chegou desesperada:
- Pelo amor de deus, todas as vezes que vocês vêm aqui quebram o meu bar!
Vocês que ela se referia eram os recrutas do exército. O meu colega estava com uma pistola cheia de munição, mas o homem da música também estava armado e demonstrava uma calma de gelar a espinha dorsal. O indivíduo armado fica muito imponderado. Conseguimos abafar os ânimos do meu colega e, depois de muita “diplomacia”, abandonamos aquele recinto deplorável.
No último dia para apresentar-me, cheguei numa ressaca que mal conseguia, segurando a bolsa, ficar de pé. Logo na entrada, uma guarita e, depois dela, um longo corredor. Um recruta foi receber-nos: eu e mais uns vinte retardatários. Chegou cheio de autoridade:
- Vocês deveriam estar aqui na segunda-feira e não, seus voadores de merda, na sexta-feira.
No quartel é assim: o cara quando tem uma oportunidadezinha de nada, já começa, em forma de vingança, a humilhar os subalternos. O filho da mãe continuou:
- Em fila! Sigam-me! – e saiu correndo.
E eu, coitado, cheio de ressaca, calçado num sapato de couro, bolsa nas costas a correr atrás daquele desgraçado. O suor escorria em abundância pelo meu corpo. Uma sede de beber até água salgada. Uma tontura de lascar. Ânsia de vômito e vontade de me deitar. Depois que vencemos, com muito sacrifício, aquele corredor, ele ainda nos obrigou a fazer uma volta olímpica pelo quartel. Triunfal chegada. Estávamos, nós palhaços em frangalhos, divertindo a comunidade aquartelada. Completamente extenuados, correndo com as tralhas nas costas e, ainda, repetindo gracinhas de ordem:
- Um, dois, três, quatro!
E nós:
- Quatro, três, dois, um!
- Estão cansados, voadores?
- Não, senhor!
Chamávamos um merda daquele de senhor. Chegando ao alojamento, ele ordenou:
- Dez minutos para vocês guardarem essas porcarias que trouxeram. Vocês estão atrasados com os exercícios físicos. Vamos recuperar o tempo. Agora!
Eu não acreditava no que ouvia. Não tinha certeza se o corpo iria obedecer aos meus comandos.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
vida de professor

Às margens do Rio Parnaíba, o segundo em extensão do Nordeste, encontramos o barzinho das “primas” em atividade. Simpaticamente, uma delas nos atendeu enquanto outras duas continuaram dentro do box de madeira, acirrando uma disputa de conhecimentos. Sorteavam uma letra do alfabeto e, secretamente, cada uma escrevia, iniciando os vocábulos com a letra sorteada, o nome de pessoas, cidades, novelas, objetos, etc.
Eu, Jorge e a jovem empurrávamos cerveja goela a baixo e, concomitantemente, deixávamos gargalhadas agredirem o silêncio da cidade. A nossa mesa é sempre abastecida com frases originais e bem humoradas. De repente, vem uma gritaria de dentro do barzinho e uma das jogadoras, esbaforida, pergunta-me:
- Professor, Júlio, não é com G?
Jorge foi logo me alertando:
- Antonio, não entra nessa disputa cultural...
Fiquei em dúvida sem saber qual das duas defender: ambas eram bonitas e charmosas. Tomei, por impulso, partido:
- Minhas lindas, houve uma reforma ortográfica e, portanto, Júlio pode ser escrito com G.
Falei e me senti um Judas, o traidor da Língua Portuguesa. Continuaram a disputa. A letra i foi sorteada e, logo, a confusão recomeça:
- Professor, Espanha, não é com I?
Como eu já tinha defendido a outra, resolvi dizer:
- Claro, existe a Espanha e, foneticamente, a sua Ispanha.
Jorge não se conteve:
- Só falta, Antonio, você dizer que ilefante é correto!!
De novo, as jovens:
- Professor, Hipopótamo, não é com I?
Não vacilei:
- Já fui professor de Hivo, cujo H foi roubado do Hipopótamo, portanto, o correto é Ipopótamo, sem H!!
domingo, 2 de janeiro de 2011
Caserna verde: sonho e decepções - II

- Sente-se!
Pergunto-me trivialidades como, por exemplo, o nome de meu pai, o que eu fazia, o meu endereço, etc. De repente, olhando-me duramente nos olhos, sem nenhum pudor, interrogou-me:
- Já “comeu” mulher?
Usou exatamente este palavreado chulo. O sangue subiu-me febrilmente à face. Olhei desconcertado para um lado e para o outro – poderia estar fazendo alguma brincadeira. Não havia ninguém. Só eu e ele. Pensei: “Não sou confidente deste cara... Que pergunta mais íntima é esta?” O meu pensamento foi bruscamente interrompido por ele:
- Está procurando a resposta onde? Não entendeu o que eu lhe perguntei?
O suor escorria facilmente por minhas têmporas. O meu sistema nervoso desequilibrou-se e um princípio de gagueira e confusão mental apoderou-se de mim. Apenas, disse eu:
- Entendi...
- Entendi, não! Diga: entendi, senhor!
- Sim, senhor.
- Sim, o quê? Entendeu ou já “comeu”?
- Os dois.
- Diga: os dois, senhor!
Eu disse:
- Os dois, senhor!
Ele baixou o tom de voz e, como se estivesse conversando com outra pessoa, indagou-me:
- Tem coragem de “comer” de novo?
- Sim.
Repentinamente, esbravejou:
- Sim, não! Diga: sim, senhor!
- Sim, senhor! – involuntariamente, gritei no mesmo tom dele. Fiquei suando e, paralelamente, tremendo de medo.
Meio satisfeito, concluiu:
- Agora você me convenceu. Está selecionado para o psicotécnico.
Mais tarde, eu soube que esse procedimento complementava a seleção: não aceitavam homossexuais no quartel.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
vida de professor
Frase de placa

domingo, 19 de dezembro de 2010
Caserna verde: sonho e decepções - I
O 3º Batalhão de Engenharia de Construção, situado em Picos (PI), selecionava, na época, jovens em Floriano (PI), para servir ao Exército Brasileiro.
Ao completar 17 anos, alistei-me e, portanto, ansiosamente, fiquei esperando o dia da realização dos exames médicos e psicológicos. O desejo de eu incorporar-me no exército era muito mais do meu pai do que meu. Quando nasci, num rincão piauiense isolado do mundo, meu pai, muito contente, falou para minha mãe: “Este menino vai ser um soldado do Exército Brasileiro!” O sonho dele poderia estar próximo de se concretizar.
A seleção era feita no Floriano Clube, localizado na Rua São Pedro. O clube estava lotado de jovens que sonhavam servir o exército, pois, na época, esse era o vestibular para o indivíduo tornar-se efetivo da Polícia Militar do Piauí. Não havia concurso. Um tenente mandou que todos tirassem as roupas. Foi um momento muito hilário, pois surgiram cuecas que tinham praticamente só o cós – furada, suja e de cor indefinida. O médico, que também era tenente, chegou e esbravejou:
- Foi ordenado que vocês ficassem nus! Alguém aqui não sabe o que é ficar nu?
Ainda hoje tenho vergonha de relatar, pois foi um dos piores constrangimentos que já vive. Nós, homens, somos muito sistemáticos com relação a ficar nu diante de outro homem. Imaginem diante de quase 200 (duzentos). Os jovens, inclusive eu, apertavam as pernas e, com uns gestos encabulados, cobriam os órgãos genitais com as mãos. O médico, com cara de mau e voz estridente, entrou em cena novamente:
- Em fila! Pernas entreabertas e braços descolados do corpo!
Ah, meu deus, que situação! O médico sacou uma antena cromada de rádio e, distendendo-a, começou a examinar, um a um, todos nós. Chegou a minha vez. Ele disse:
- Abra a boca!
O indivíduo deveria ter um número mínimo de dentes para ser selecionado.
- Levante os braços até a altura dos ombros.
Observou a simetria do meu corpo.
- Abra as pernas!
Falava sempre em tom de quartel: a última palavra da frase sempre tem sílaba tônica. Levantou, com a antena, o meu pênis e observou se não tinha alguma micose ou ferimento.
- De costas!
Novamente, observou a simetria do meu corpo. Então, disse-me:
- Vá fazer o exame de vista.
O exame oftalmológico era muito simples: a gente cobria com uma das mãos um dos olhos e ficava lendo aleatoriamente, de acordo com a letra apontada pelo médico, o alfabeto em diferentes caixas. O mesmo processo se repetia com o outro olho.
- Pode ir para a entrevista!
sábado, 11 de dezembro de 2010
VOU TE CONTAR, SAM!
Entrei no II Amigo Secreto Virtual de Natal da Ester, do blog UNIVERSO, e depois fiquei matutando: detesto dar presentes, pois não sei escolhê-los. Chegou o anúncio do sorteio, eu deveria presentear SAM. Pânico: achei que fosse um homem, pois SAM me arremeteu, erroneamente, a Samuel e não, por exemplo, a Samara. SAM continua, pra mim, um enigma. Acessei o blog VOU TE CONTAR e, para meu alívio, SAM é uma mulher de 25 anos. Alívio? Li o perfil dela e extrair poucos e evasivos traços de sua personalidade. Pânico: o que dizer, então, para ela? Senti-me um infanto-juvenil tentando memorizar frases para dizer a uma garota. Vorazmente, passei a ler a página dela e fiquei, à medida que verticalizava nos textos, mais paranóico, pois o que eu poderia dizer à pulsante autora de VER-Sou-DESEJO?
SAM gosta de poesia concreta e, se ela não estiver fingindo, ama a vida bucólica; retrata, nostalgicamente, seus sentimentos; parece-me sonhadora além dos limites, pois ela diz: “o real é ardido”. A SAM é supersticiosa “com pimenta no pescoço e mel na boca”. Meu deus, que presente eu daria para essa mulher? Quiçá eu pudesse dizer: os nossos destinos se encontraram num sorteio ou, então, gostaria que as notas musicais intrínsecas da amizade fizessem vibrar a sua alma... Muito piegas!
A falta de inspiração, SAM, mulher de textos envolventes e apaixonantes, abafou o poema que escreveria para você. Eu lhe presentearia:
Com um poema que não escrevi
Acompanhado de uma imaginária rosa vermelha,
Colhida no jardim “Flor-Rir”
E um cartão de amizade virtual
Selado com o coração de um blogueiro.
Beijos na “alma de guaraná”
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
vida de professor

Fui, aqui em Zé Doca (MA), na agencia dos correios com o objetivo de adotar uma cartinha endereçada ao Pólo Norte. Perguntei ao auxiliar administrativo:
- Vocês participam da campanha Adote uma Carta?
- Sim.
- Eu gostaria de participar.
Com um carimbo suspenso no ar, ele me olhou e, então, achando que eu queria pedi algo a Papai Noel, disse:
- Você escreve uma carta e entrega aqui para nós!
- Você não entendeu: eu quero adotar uma carta.
Novamente, parou de digitar sei lá o quê e, num tom normal, interrogou-me:
- Qual é o seu telefone? Onde você trabalha?
Identifiquei-me. Ele, sem convicção, disse-me:
- Ainda não chegou nenhuma carta aqui.
Afastei-me e pude percebê-lo fitando-me com um olhar vacilante sobre os óculos. Saí cheio de dúvidas se ele teria acreditado em mim e, portanto, fiquei convencido de que eu tenho cara de pedinte e não de Papai Noel. De qualquer forma, retornarei lá para tentar resgatar uma cartinha. Pelo menos uma, com certeza, não terá o endereço do lixão da cidade. Cidade de pedra, sem coração.
P.S: Fugi do meu estilo de escrever para tentar tocar o seu coração com a repetição de vocábulos que formam um texto lasso.





