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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

vida de professor


O Instituto Federal do Maranhão, campus Zé Doca, comprou da empresa “De Lorenzo do Brasil” uma mini-usina de processamento de biodiesel. A empresa, situada em São Paulo, enviou um técnico, William, para entregar a planta (máquina). Como engenheiro mecânico do campus, eu acompanharia cuidadosamente todo o processo de compra/entrega, pois teria que emitir um parecer técnico para a procuradoria do instituto relatando se a planta estava de acordo com as especificações estipuladas no pregão.

O primeiro encontro com o técnico foi meio amistoso, mas carregado de reservas, de ambas as partes. De quando em vez, ele sacava uma “novidade” como, por exemplo, um mini-mouse, uma mini-balança, etc., e, então, perguntava-me: “Você conhece isto?” Eu apenas dizia sim e ficava me sentindo um jeca que troca ouro por espelhos.

O comportamento do técnico não era de quem estava num instituto tecnológico, mas numa aldeia isolada da civilização. Apresentava-se cheio de nove horas e coisa e tal; falava arrastando excessivamente algumas consoantes e contaminava o diálogo com gírias. Eu ficava só avaliando a ficha dele. Certo momento, ele subiu numa escada para abastecer o reservatório de recebimento de óleo. Lá em cima, encontrou uma aranha e, sem que eu conseguisse entender as suas intenções, interrogou-me:

- Esta aranha voa?

Por impulso, respondi:

- As aranhas de São Paulo, sim. As coitadinhas do Nordeste ainda não conseguiram evoluir.

O cara congelou os movimentos e, olhando-me de soslaio, calou-se. A fisionomia fechada dele dizia: “Este capiau babaca me ferrou.”


10 comentários:

Ira Buscacio disse...

Antonio,

Que delícia de post. Me diverti mt.

Tem gente que não tem mesmo noção do mundo em que vive. Quanta pretensão, não!
Será que ele acreditou?

Bjs e boa semana

Antonio José Rodrigues disse...

IRA, muito obrigado pelo comentário. São os ossos do ofício. Beijos

O Burro que chora disse...

KKK!
Coitada da aranha do nordeste...
Quem sabe um dia ela chega lá...
felicidades

Dani disse...

Oi Antonio, vim agradecer sua visita ao blog e dizer que fiquei muito feliz com suas palavras em relação a idéia principal do meu blog. Espero te vê-lo muito por lá... Obrigada!

Bjusss

Jorge Jansen disse...

Antonio
De repente o cara se tocou que estava num Instituto Tecnológico...A aranha voadora de Zé Doca!!! Hilário!!!

Luiz Neves de Castro disse...

Antonio, uma sacada de pura inteligência Nordestina. Bravo!

Antonio José Rodrigues disse...

BURRO e JORGE
O problema das aranhas deve ser explicado na teoria de Darwin. Abraços

DANI
Estarei presente. Beijos

Jão disse...

bela sacada mesmo, agora ele vai aprender a não julgar por "aparencia" e ou região que se encontra. Belo texto

Abraços

Antonio José Rodrigues disse...

Pois é, Jão, as aparẽncias enganam. "Nóis é nordestinos, mas nóis não é bruto." Abraços

Laís Carvalhêdo disse...

Prof. esse deve ser o 7º ou 8º texto seguidos que eu leio do seu blog em menos de 20 min. E me diverti mito com tdos eles... Adorei as histórias e seu modo de escrevê-las. Vou virar visitante.
Abraço!

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